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Café Nice

O Café Nice foi um café-bar inaugurado em 1928 no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Ali se reuniam famosos compositores da música popular (como Noel Rosa e Wilson Batista, Pixinguinha, Cartola e muitos outros), jornalistas igualmente conhecidos (como Mário Filho, que emprestou seu nome ao Maracanã), cantores que arrastavam multidões (como Francisco Alves, o “Rei da Voz"). Ali era o principal local de encontro da boemia carioca.

Café Nice

Como está contado nas páginas da Wikepedia, apesar da frequência tão extraordinária, o Café Nice tinha instalações simples. O ator e compositor Mário Lago disse que “o Café Nice, como café, era umas mesas. Mas havia um espírito de Café Nice”.

Wilson Batista, que daria ao seu livro de memórias jamais terminado o título de "Café Nice", assim o descreveu: "modesto café de cinco portas, com cadeiras e mesinhas de vime do lado de fora, com cocos verdes no chão e ao seu redor, que todos nós do rádio tivemos nossos primeiros sonhos".

Café Nice
Desenho de Nassara, desenhista e festejado compositor

 

No início de 2015, o jornalista Bernardo publicou um delicioso texto sobre o Café Nice no caderno comemorativo dos 450 anos da refundação da cidade do Rio de Janeiro, no jornal O DIA. Dois de seus parágrafos:

“Inaugurado em 18 de agosto de 1928, na Rio Branco, 174, o Café Nice nasceu na época em que o Rio completava seu processo de reurbanização, seguindo o modelo parisiense. Portanto, nada a estranhar no nome francês. Havia, na época, toda uma etiqueta – regulada por lei, inclusive, para frequentar o Centro da cidade. Chapéus e paletós eram indispensáveis. Os boêmios também se enquadravam na “linha”. A avenida Rio Branco, construída no começo do século XX, era o palco maior dessa cidade renovada. A localização privilegiada ajudou o Nice a ter um lugar de destaque na história carioca até ser fechado em meados da década de 1950.”

“Em frente ao Café Nice ficava o Cinema Parisiense. Foi o primeiro a ser instalado na Rio Branco, em 1907. Ao lado ficava o Cineac Trianon. Nesse trecho ainda tinha a Rádio Clube do Brasil e o Theatro Municipal mais à frente. Então, era um ponto de encontro maravilhoso, que teve uma representatividade muito grande na história do Rio de Janeiro, para a boemia e o lazer”, conta o radialista e pesquisador Osmar Frazão – apelidado pelo apresentador Flavio Cavalcanti, em cujo programa foi jurado, de “Enciclopédia da Música Popular Brasileira”.

Café Nice

O Café Nice deu música e até um filme. Quem assistir o filme “Noel – Poeta da Vila” - do diretor Ricardo van Steen vai ter uma boa ideia de como se comportavam os músico no Café.

Os compositores Milton Carlos e Isolda criaram uma bonita música chamada “Memórias do Café Nice”. Milton Carlos faleceu em 1976, com 21 anos e muitas outras composições que fazem sucesso até hoje. Isolda continuou compondo e é conhecida como “compositora do rei”, pelo grande número de músicas gravadas pelo cantor Roberto Carlos.  

A música chamada “Memórias do Café Nice”, que pode ser ouvida abaixo, mostra bem a alegria e importância dos frequentadores desse bar para a cultura brasileiras. Muita música composta naquele tempo é sucesso até hoje – e pouca gente sabe disso.