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Joseane Freitas

A psicóloga Joseane Freitas, mestra em educação pela Unicamp, diz que saúde corporativa e produtividade andam juntas. Mas que nos dias de hoje, depressão e ansiedade estão entre as principais causas de afastamento nas empresas.

Joseane Freitas

A ‘saúde mental’ (embora esta terminologia possa parecer estranha para muitos) é um tema que precisa ser tratado como prioridade nas empresas.

Nas últimas décadas, a sociedade de um modo geral, adoeceu muito. Doenças como estresse, ansiedade e depressão saltaram em índices de incidência, e são problemas crônicos que podem gerar longos períodos de tratamento, além de serem tão incapacitantes para o colaborador quanto às doenças de ordem fisiológica.

Em nível mundial, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão. Nas Américas, o número de pessoas afetadas é de cerca de 50 milhões.

Segundo dados do Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade divulgado pelo Governo Federal, nos últimos 4 anos, problemas acarretados pelos altos níveis de estresse, ansiedade e depressão, foram a terceira maior causa de afastamento dos trabalhadores brasileiros. Mais de 17 mil casos de concessão do auxílio-doença e da aposentadoria por invalidez foram registrados entre 2012 e 2016 com este motivo.

No entanto, estes problemas podem não ser detectados por indicadores clássicos da área de Recursos Humanos, pois em grau inicial não geram afastamentos ou pedidos de desligamento que seriam rastreados pelas taxas de absenteísmo e turnover, por exemplo. Contudo, mesmo em estágio inicial essas doenças irão impactar os níveis de produtividade da empresa, gerando, consequentemente, a necessidade de se aumentar o quadro de colaboradores, acarretando em gastos além do que seria necessário.

Este cenário mostra como é de extrema importância que as empresas implantem programas de Prevenção e Promoção á saúde do trabalhador. O grande desafio do RH atualmente é detectar e medir as prováveis causas dessas doenças, para assim, elaborar e realizar ações de intervenção, afinal, evitar que as pessoas adoeçam irá melhorar não só a qualidade de vida dos colaboradores, mas, consequentemente os resultados das organizações.

Esses males podem ser desencadeados por meio de inúmeros fatores, porém, ambientes corporativos de muita cobrança, como no caso de grandes redes varejistas, em que muitas vezes há diversas responsabilidades e cobranças centralizadas em uma única pessoa, terão colaboradores mais suscetíveis a esse desenvolvimento.

É muito importante, e inclusive saudável que todos tenham metas a serem cumpridas, o que não se pode fazer é traçar objetivos absurdos onde os colaboradores acabam focados em resultados a qualquer custo.

A saúde nas empresas precisa ser visto muito mais ativamente como investimento do que ocorre atualmente. Muitas empresas ainda veem a saúde como um benefício ou obrigação, quando na verdade, a saúde corporativa é pressuposto de produtividade e são correlacionados. A vitalidade do organismo irá interferir diretamente na capacidade do indivíduo de produzir e criar, e também irá interferir na forma como as pessoas se relacionam e influenciará até mesmo o clima organizacional.

Portanto, o primeiro ponto a ser tratado pelas organizações é definir o papel da saúde na corporação, se ela será coadjuvante ou protagonista. Minha visão é de que as questões de saúde devem estar na pauta estratégica das empresas que pretendem ter um longo caminho de vida pela frente.

Algumas dicas para as empresas que desejam criar programas para prevenção desses males são ações extra expediente, que promovam atividades de lazer em família, esportes, grupos temáticos, etc. No entanto, cabe ressaltar que antes de implementar qualquer programa para os colaboradores, o ideal é realizar pesquisas para entender o perfil de cada profissional da organização e perceber quais as necessidades deles, para que as ações implantadas tenham resultados efetivos.


A grande solução não só para doenças como estresse, depressão e ansiedade, mas para muitos outros problemas de saúde que possam atingir os colaboradores está em uma palavra fundamental: "prevenção". Prevenir é proporcionalmente muito mais barato do que assistir o paciente após a contração do problema.